quarta-feira, 8 de julho de 2009

Esse rio é minha rua...

Essa postagem do Lafayette foi uma das mais interessantes que já li. O cara foi emendando uma ideia na outra, e quando foi ver, deu nisso aí. Confiram.

Ontem, por volta das 17 horas, passei na Almirante Barroso, deconfronte ao Conjunto do BASA, onde estava acontecendo a desobstrução, por ordem judicial, da Tavares Bastos, por dentro daquele conjunto, até a João Paulo II.

Caia um dilúvio feito um viaduto. Não consegui parar e tirar fotos da entrada do BASA (não tive a sorte que teve o Belenâmbulo).

Ao retornar ao escritório, fui pela ruela que desagua a João Paulo II, que, pra não variar, estava engarrafada, como comentei nesta postagem do Quinta Emenda.

Vejam as fotos.

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Mas, é o seguinte.

Belém foi atropelada pelo tempo, pelos fatos e pelos administradores públicos. As 1º e 2º guerras mundiais contribuiram para a sinuca-de-bico que hoje se encontra a estrutura viária de Belém. Costumo dizer que, em Belém, está a mais distante base da Marinha de um rio ou mar: começo da Av. Augusto Montenegro (Estação de Rádio).

De maldade, ainda temos uma pista de pouso de aviões bloqueando, pelo menos, 6 grandes vias: 25 de Setembro, Duque de Caxias (não me venham com este papo que aquela ruela ao lado do Angar foi a solução!), Marquês de Herval, Pedro Miranda, Antônio Everdosa e Senador Lemos.

Todas estas vias saem do nada e vão a lugar nenhum. Agora, penso como seria bom se todas estas vias (QUE SÃO PARALELAS E, ATÉ QUE O MUNDO SE ACABE, SÓ SE ENCONTRAM LÁ NO INFINITO, ou dentro da fronteira de eventos de uma estrela de Neutrons, mas isso é outro papo) continuassem, continuassem, continuassem até depois de Marituba, até Benevides, ou até um grande entrocamento na entrada da via que nos leva para Mosqueiro, a Rod. Augusto Meira Filho. Era para ser assim…

Augusto Meira Filho era Engenheiro Civil, filho do Senador Augusto Meira e de Anésia de Basto Meira (costumo dizer que, se é pra ter filhos inteligentes, o cidadão tem que se mirar nestes dois. Não nasceu um mais ou menos!). Para começar a entender o que Belém é, o interessado tem que ler os livros do Augusto Meira Filho.

Landi, esse desconhecido (o naturalista) e o O bi-secular Palácio de Landi , são livros necessários, vitais. Mas, para o tema em questão, os livros Contribuição à História de Belém e Evolução Histórica de Belém do Grão-Pará, ambos dele, são fundamentais.

Fruto de intensa pesquisa, ali você encontrará o que Belém era, e pra onde Belém ia. Estava tudo certo, meus amigos, estava tudo certo e planejado.

Ah, de lambuja, não deixe de ler Mosqueiro – Ilhas e Vilas do mesmo Augusto, que era apaixonado pela Bucólica (você sabe o motivo?).

Mosqueiro Ilhas e Vilas

Augusto Meira Filho

Augusto Meira Filho

Onde encontrar estes livros? Por aí… em sebos, inclusives, virtuais, em bibliotecas públicas ou com algum parente. Eles tem.

Vamos dar uma volta lá no passado?

http://www.forumlandi.com.br/bibliotecaArq/198.jpg

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http://www.forumlandi.com.br/bibliotecaArq/05.jpg - visão da ladeira da foto acima

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Estas duas fotos mostram como a obstrução de vias públicas em Belém prejudica nossa visão ao que esta cidade tem de mais belo: O Rio.

A Praça do Carmo, um dos nossos primeiros pontos como cidade, ao final da antiga e primária Rua do Norte, que saía do Forte de Belém é exemplo disso.

A Tv. Dom Bosco e a Joaquim Távora estão fechadas por particulares há anos (uma delas, fechada com muro, portão e tudo mais por uma empresa de pesca, que, pesquisando na web, não consegui confirmar o nome). Do outro lado do Rio, a Tv. Dom Pedro I continua, também, fechada por portões particulares (Caso Ver-o-rio-SANAVE, em que o ex-Prefeito Edmilson Rodrigues, arquiteto, ainda precisa explicar a sua biografia).

Será que o direito de ir e vir e a retomada de via pública, dois argumentos afirmados pela Prefeitura de Belém para desobstruir a via central do Conjunto do BASA, farão história? E, serão motivos plenos à desobstrução da Tv. Dom Bosco, da Tv. Joaquim Távora e da Tv. Dom Pedro I?

Minha avó dizia: A mesma vara que lambe a costa de Chico, lambe a de Francisco!

Lembro ainda que, alguns Vereadores de Belém, uns não mais, outros ainda naquela Casa, tiveram uma idéia absurda de fechar a Av. Marechal Hermes e parte da Av. Doca de Souza Franco, para que a Companhia das Docas do Pará – CDP pudesse colocar seus contêineres, estacionamento de carretas e cargas (imaginem aquela quantidade de boi obrando por lá – que beleza…).

Isso mesmo, em Março de 2004, quase todos os Vereadores da Câmara Municipal de Belém, aprovaram um requerimento de autoria do então Vereador Cézar Meira (PMDB), que pretendia abrir um plebiscito acerca da incorporação pela CDP de 70 metros da Av. Doca de Souza Franco e 395 metros da Av. Marechal Hermes.

O procedimento estava adiantado, quando a opinião pública (sempre a redentora), começo a sentar a piquiúba e, parece, arquivaram a idéia (ps.: “parece”, mas é sempre bom ficarmos de olho, pois o Presidente da CDP à época era o atual Vereador Ademir Andrade, líder do PSB… e, assim, vai que…)

Meus queridos representantes municipais do Povo: EU QUERO VER O RIO!

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Foto de Aluisio Meira

Foto de Dricobel (http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://i245.photobucket.com/albums/gg55/Drico-bel/verorio-1.jpg&imgrefurl=http://www.skyscrapercity.com/showthread.php%3Ft%3D603519&usg=__occqnfKBpC80kAY5VqsVQpnxa5Q=&h=480&w=640&sz=128&hl=pt-BR&start=1&tbnid=_VBhQOnv8kSGuM:&tbnh=103&tbnw=137&prev=/images%3Fq%3DMarechal%2BHermes%2Bbel%25C3%25A9m%2BCDP%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG)

Foto de Dricobel (http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://i245.photobucket.com/albums/gg55/Drico-bel/verorio-1.jpg&imgrefurl=http://www.skyscrapercity.com/showthread.php%3Ft%3D603519&usg=__occqnfKBpC80kAY5VqsVQpnxa5Q=&h=480&w=640&sz=128&hl=pt-BR&start=1&tbnid=_VBhQOnv8kSGuM:&tbnh=103&tbnw=137&prev=/images%3Fq%3DMarechal%2BHermes%2Bbel%25C3%25A9m%2BCDP%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG)

Voltando ao passado. Como dito, estava tudo planejado:

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No Youtube, Haroldo Baleixe (que se autodenomina, Baia1990), nos mostra, em vídeos-exemplos de cidadania, como as situações vão se transformando no que se vê agora:

Belém, ao meu ver, tem que decidir o que quer. E meter a cara com obras que, realmente, promoverão melhorias estruturantes (para utilizar umas das palavras da moda) ao funcionamento orgânico do escoamento e trânsito de pessoas, veículos e aeronaves.

O Projeto de Interligação Viária do Entroncamento e Eixos, é importante, sem dúvida, para melhoria da situação caótica do trânsito de saída e entrada de Belém.

Foto de Maurício Koury Palmeira

Foto de Maurício Koury Palmeira

Foto de Maurício Koury Palmeira

Foto de Maurício Koury Palmeira

Porém, está longe de ser, pelo menos, uma pequena luz no fim do túnel.

A abertura do Conjunto do BASA, por exemplo. Diz a Prefeitura de Belém que visa desafogar o trânsito.

Pois bem. Vamos a um pequeno exercício: Estou vindo pela Av. Almirante Barroso, ruma à saída de Belém. Engarrafado como sempre, chego na via do BASA e entro à direita, visando pegar a Av. João Paulo II.

Chegando lá, vejo um avenida larga, bem asfaltada. Viro à esquerda. Ando uns 800 metros, e chego nauquela ruelazinha que fotografei e coloquei ali em cima. Que é de mão dupla!!!

Caminho por esta ruazinha e… chego de novo no meio do Complexo Viário do Entroncamento, mais ou menos 1 quilômetro da entrada do Conjunto do BASA!!!

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Chegando mais perto, o que se percebe é que Belém está navegando com o leme avariado. Solto, ele leva o nosso barco ao sabor das correntezas que submergem ao sabor das facilidades, dos acordos, dos conhavos, dos jeitinhos. Pobre Belém. Pobre de nós.

*Este Rio é Minha Rua (Paulo André e Ruy Barata)

**Em algumas fotos desta postagem não consegui descobrir o autor, se alguém identificar a autoria, favor me informar que retifico.



Publicada originalmente no Golden Slumbers, em 22/05/2009

4 comentários:

Pacheco disse...

Realmente muito bom o comentário, onde podemos aprofundar e muito o assunto, tendo conteúdo para encher o servidor do Blogger.
Toda essa avacalhação pode ser conferida no meu blog (transitoblm.blospot.com).
Abraços.

Pacheco

JOSÉ DE ALENCAR disse...

Meus caros Belenâmbulo e Lafayette.

Não é só o Poder Executivo que contribui para esculhambação que se tornou esta desgraçada Belém do Grão-Pará.
O Edmilson, quando Prefeito, bem que tentou abrir a rua que foi apropriada pela Sanave, de Sabino Oliveira, pai do então Deputado Estadual e atual Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Chegou a mandar tratores para derrubar tudo, mas foi obstado pela Polícia Militar do Estado e por uma ordem de um Juiz Federal.
O Beco do Cardoso também é apropriado por uma empresa privada com base em decisão judicial.
Parte da solução desse problema depende mais da União do que dos Prefeitos de Belém.
Explico: quase todas as ruas fechadas ficam em terrenos de marinha, de propriedade da União. E os donos da rua obtiveram "legalmente" a cessão de uso da rua, concedida pela União (pela atual GRPU). Ponho as aspas porque não acredito, sinceramente, que isso possa ser legal, mas formalmente foi considerada legal e por isso os donos das ruas conseguem as liminares de reintegração de posse.
Assim, de desgraça em desgraça, Belém afunda no seu vale de lágrimas.
Ai de ti, Belém.

Lafayette disse...

É por isso que este post começou a ser visitado por lá... és danado!

Belenâmbulo disse...

Pacheco,
Espero que você sempre mantenha a instigação no seu blog.
Agradeço pela visita e comentário.

Alencar,
Eu não desisto! Morro esperneando!

Lafayette,
Danado é você, que escreveu essa obra-prima da blogosfera!


Abraços