quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Predadores

Mantendo a "tradição" dos passeios do Belenâmbulo, paralelamente às atividades fotográficas, eu e o Tanto fomos submetidos a uma exaustiva programação gastronômica, promovida por Dona Conceição, nossa anfitriã na comunidade quilombola do Barro Alto, em Salvaterra, na Ilha do Marajó.

Em menos de 24 horas que lá permanecemos, fomos covardemente lançados a iguarias como frango no tucupi, frango com batatas ao forno, carne assada de panela, peixada de bagre que vimos chegar ainda vivo, açaí batido na hora, e uma camaleoa, cozida com seus respectivos ovos. Recusar qualquer prato seria uma tremenda desfeita. O jeito foi comer tudinho.

Ovo de camaleão, Barro Alto, Marajó

A carne de camaleão é macia e saborosa, aparentemente magra, e os numerosos ossinhos me fizeram lembrar alguns "passarinhos pequenos" que degustei no agreste pernambucano. Os ovos são moles, com uma casca elástica, a qual, uma vez rompida, revela um recheio semelhante à gema de ovo de galinha, porém com sabor muito peculiar e marcante.

- Aqui no Barro Alto só passa fome quem tem muita preguiça... por falar nisso, gosto muito de preguiça!
- É realmente um bicho muito bonitinho.
- Com arroz, então... fica uma delícia!

7 comentários:

Frederico Guerreiro disse...

A culinária marajoara é brilhante. Nunca me esquecerei do quanto eu comi por lá meu prato preferido: uma boa língua bem passada nos ovos.

Yúdice Andrade disse...

De fato, meu amigo, a boa gente do interior se melindra quando suas gentilezas não são aceitas. E isso costuma acontecer com a genta da cidade e seus senões. Devo dizer que teria problemas nesse passeio gastronômico, porque camaleoa cozida com os próprios ovos não seria, com certeza, uma iguaria a incluir no meu cardápio.
Para não ser grosseiro com ninguém, acho melhor acompanhar a saga de vocês, em vez de fazer uma!

PS - Que coincidência: a palavra de verificação para publicar o comentário foi "ovolly".

Cristina Nascimento disse...

Ai, ai... Acompanho esse blog a algum tempo. Me divirto muito com o seu caráter, digamos... inusitado rsrsrsr!

Mas fala sério!

Dessa vez, me sinto provocada...
Tenho que contar.
Esse seu post me vez lembrar uma situação deliciosamente terrível que hummmm... vivenciei em Baião.

Chego na casa de meus amigos depois de uma jornada de trabalho no município e me deparo - como de regra, graças a Deus - com amesa farta para o jantar. Sim, muita e boa comida.
Minha amiga Lú, filha de Baião e da casa, se arvora sobre o até então "jabuti no leite da castanha".

Uma delícia! Pensem!!!

Comemos sem dó... Afinal, pensei! O bicho já tá morto mesmo, e lá no quintal tá cheio de parentes dele.

Após nos fartarmos. A Léia irmã da Lú e nossa anfitriã, cai na gargalhada junto ao gente boíssima do marito, o Nato.

KKKKKKKKKKKKK!!!

Vocês sabem o que vcs comeram? Vou denunciar vcs para o Pv Nacional e tal (essa foi das piadas a maior!).

Vocês devoraram uma preguiça no leite da castanha.

Fiquei chocada!
Mas, muito, muito satisfeita... Já estava morta mesmo!
É o que me conforta.

Lafayette disse...

Já comi camaleão, na verdade é camaleoa, pois dizem que camaleão não se come "pois é venenoso"! rsrs

Foi lá em Salinas, nos idos de 80. Tinha uns 17 anos. Acho que agora não comeria, mas sabe como são as coisas, a gente quando tem "uns 17 anos" come qualquer coisa que passar pela frente! réréré

JOSÉ DE ALENCAR disse...

Meu caro Belenâmbulo,

E o camaleão tem um atributo gastronômico imperdível: ele aceita bem tanto condimentos próprios para carne como aqueles para peixe.
O resultado é a combinação do melhor dos dois.
Lá em Bragança, muitos anos atrás, a tradição era cozinhar com bem sal e secar ao sol os ovos das camaleoas. É uma iguaria. Também havia quem capturasse as camaleoas ovadas, abrisse a barriga, tirasse os ovos, costurasse a barriga, passasse iodo e soltasse. Dizem que elas sobreviviam.
Se sobreviviam, não sei, não vi, só ouvi falar.
Mas que o ovo de camaleão seco é bom, isso é.
Parabéns por mais essa aventura.

João Bosco Maia disse...

Estive já por aqui e cá estou outra vez. Belo espaço para as letras e para remover este triste índice de leitura de 2 livros/ano por brasileiro. Na Argentina, são dezoito livros/ano.
Te convido a conhecer meus romances. Três deles estão disponíveis inclusive para serem baixados “de grátis”, em formato PDF.
Um grande abraço e boa leitura!

Anônimo disse...

cara vc deveria ter vergonha de dizer que come animais silvestres