1º de Março com Riachuelo
quarta-feira, 26 de maio de 2010
segunda-feira, 24 de maio de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
Precisa-se de um revisor
sexta-feira, 21 de maio de 2010
O matador
Onze horas... esse foi o tempo que durou o desafio de hoje.
Melhor desempenho que o do anterior, desvendado em menos de duas horas pelo Itajaí do Flanar.
Fernando Sampaio passou por aqui e encerrou a parada.
Um matador, como bem observou o Yúdice em seu Arbítrio...
Eis a foto original
Melhor desempenho que o do anterior, desvendado em menos de duas horas pelo Itajaí do Flanar.
Fernando Sampaio passou por aqui e encerrou a parada.
Um matador, como bem observou o Yúdice em seu Arbítrio...
Eis a foto original
quarta-feira, 19 de maio de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Imóveis em extinção
terça-feira, 11 de maio de 2010
Tem coisas que só servem no mesmo dia
Vou aproveitar essa postagem para agradecer a todos os que têm enviado suas contribuições ao blog. Suas fotos e dicas são sempre bem-vindas. Peço desculpas pela demora em publicar tudo o que recebo.
Na madrugada de hoje, recebi essa pérola encontrada pelo Duarte (aquele mesmo que denunciou o fim da linha para o ceguinho, vocês se recordam?). Uma discordância nominal cabeluda (a não ser que estivessem se referindo a um grande acordo), bem na capa d'O Liberal do último domingo...

Na mesma hora, lembrei-me de outra joia, que me fora enviada há quase três meses pelo Gabriel Dias. Adiei... adiei... e acabei perdendo o timing da publicação. Não poderia desperdiçar a chance novamente. Já que queimei O Liberal hoje, agora vai uma do Diário do Pará, para ninguém ficar chateado. Quem quer levar tora?
Diário do Pará, 25/02/2010
Na madrugada de hoje, recebi essa pérola encontrada pelo Duarte (aquele mesmo que denunciou o fim da linha para o ceguinho, vocês se recordam?). Uma discordância nominal cabeluda (a não ser que estivessem se referindo a um grande acordo), bem na capa d'O Liberal do último domingo...

Na mesma hora, lembrei-me de outra joia, que me fora enviada há quase três meses pelo Gabriel Dias. Adiei... adiei... e acabei perdendo o timing da publicação. Não poderia desperdiçar a chance novamente. Já que queimei O Liberal hoje, agora vai uma do Diário do Pará, para ninguém ficar chateado. Quem quer levar tora?
Diário do Pará, 25/02/2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Já estava tudo pronto para 2014
O atraso das sedes da Copa do Mundo de 2014 não é novidade, e já era previsto pelos próprios municípios há semanas.
Das 12 cidades-sede da Copa de 2014, somente quatro começaram as obras principais relacionadas ao Mundial. Belo Horizonte, Cuiabá, Manaus e Salvador são as mais adiantadas.
Esta é a segunda data imposta pela Fifa que não é cumprida. O primeiro prazo estipulado foi dia 1º de março. Diante dos atrasos, a entidade admitiu adiar a cobrança. Até agora, no entanto, ela não decidiu se vai impor alguma sanção aos municípios.
(extraído de notícia do UOL Esporte publicada em 03/05/2010)
Se Belém tivesse sido escolhida como uma das subsedes, esse problema não estaria acontecendo por aqui, como se pode deduzir a partir das matérias publicadas no Portal do Governo em 22/01/2009 e 19/05/2009):
Belém se antecipou às outras cidades candidatas à subsede da Copa do Mundo 2014 e foi a primeira a completar o estudo de pré-viabilidade para adequação de seu estádio, documento exigido pela Fifa.
Ana Júlia Carepa informou que o estudo será encaminhado à Fifa e voltou a afirmar que está confiante na escolha de Belém como uma das subsedes. "Pelas análises técnicas, temos todas as chances para isso. E temos esse diferencial: somos a única cidade a apresentar esse estudo de viabilidade. Vamos buscar Parcerias Público Privadas, onde o governo entra com uma parte do financiamento e a iniciativa privada com outra parte, dando condições para que seja um investimento rentável. Além do que, o Pará é o estado que necessita de menos investimentos para adaptação do estádio, e já estamos realizando as obras de infra-estrutura que são importantes para a região metropolitana, mas que terão impacto na acessibilidade ao Mangueirão, como a duplicação da Transmangueirão."
“O desempenho de Belém está muito bom. Em praticamente sete meses foi feito um trabalho muito rico já entregue para a governadora, com um resumo dos projetos mais relevantes”, avalia Fábio Loyola, consultor da Price.
Loyola acredita que Belém tem muitas chances de ser escolhida devido a alguns fatores: o estádio praticamente pronto, onde será investido somente US$ 95 milhões – a maioria das cidades precisará construir novos; a posição estratégica na Amazônia, como porta de entrada da região, bem como a infraestrutura da cidade, que ainda deve melhorar.
O inspetor Belenâmbulo realizou vistoria extraoficial para a Fifa, durante o repá do último sábado. Vejam algumas constatações:
Vias de acesso ao estádio

Estacionamento confortável...

... e com segurança

Falta apenas construir uma ponte na saída (se bem que havia um projeto de aproveitamento da água das chuvas nas descargas dos banheiros)

Não fotografei a ampla praça de alimentação, nem as modernas bilheterias itinerantes (com um pequeno ágio nos preços), mas garanto que elas existem.
Das 12 cidades-sede da Copa de 2014, somente quatro começaram as obras principais relacionadas ao Mundial. Belo Horizonte, Cuiabá, Manaus e Salvador são as mais adiantadas.
Esta é a segunda data imposta pela Fifa que não é cumprida. O primeiro prazo estipulado foi dia 1º de março. Diante dos atrasos, a entidade admitiu adiar a cobrança. Até agora, no entanto, ela não decidiu se vai impor alguma sanção aos municípios.
(extraído de notícia do UOL Esporte publicada em 03/05/2010)
Se Belém tivesse sido escolhida como uma das subsedes, esse problema não estaria acontecendo por aqui, como se pode deduzir a partir das matérias publicadas no Portal do Governo em 22/01/2009 e 19/05/2009):
Belém se antecipou às outras cidades candidatas à subsede da Copa do Mundo 2014 e foi a primeira a completar o estudo de pré-viabilidade para adequação de seu estádio, documento exigido pela Fifa.
Ana Júlia Carepa informou que o estudo será encaminhado à Fifa e voltou a afirmar que está confiante na escolha de Belém como uma das subsedes. "Pelas análises técnicas, temos todas as chances para isso. E temos esse diferencial: somos a única cidade a apresentar esse estudo de viabilidade. Vamos buscar Parcerias Público Privadas, onde o governo entra com uma parte do financiamento e a iniciativa privada com outra parte, dando condições para que seja um investimento rentável. Além do que, o Pará é o estado que necessita de menos investimentos para adaptação do estádio, e já estamos realizando as obras de infra-estrutura que são importantes para a região metropolitana, mas que terão impacto na acessibilidade ao Mangueirão, como a duplicação da Transmangueirão."
“O desempenho de Belém está muito bom. Em praticamente sete meses foi feito um trabalho muito rico já entregue para a governadora, com um resumo dos projetos mais relevantes”, avalia Fábio Loyola, consultor da Price.
Loyola acredita que Belém tem muitas chances de ser escolhida devido a alguns fatores: o estádio praticamente pronto, onde será investido somente US$ 95 milhões – a maioria das cidades precisará construir novos; a posição estratégica na Amazônia, como porta de entrada da região, bem como a infraestrutura da cidade, que ainda deve melhorar.
O inspetor Belenâmbulo realizou vistoria extraoficial para a Fifa, durante o repá do último sábado. Vejam algumas constatações:
Vias de acesso ao estádio

Estacionamento confortável...

... e com segurança

Falta apenas construir uma ponte na saída (se bem que havia um projeto de aproveitamento da água das chuvas nas descargas dos banheiros)

Não fotografei a ampla praça de alimentação, nem as modernas bilheterias itinerantes (com um pequeno ágio nos preços), mas garanto que elas existem.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
A única onda do dia
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Lixo tecnológico
segunda-feira, 3 de maio de 2010
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Um desabamento anunciado
- Você é do Patrimônio Histórico?
- Não.
- Então por que está fotografando essa casa velha?
- Gosto de fotografia... gosto de retratar imóveis antigos abandonados...
- É bom mesmo, pois esse aí deve desabar logo, logo...
- Hã???
- Pode ver que ele só tem a fachada. Lá atrás tem uns quartos de um hotel da outra rua, que comprou o imóvel e queria derrubar tudo para fazer a entrada da garagem.
Olho pelas frestas das portas e confirmo a informação:
- Olha só... é mesmo!
- Mas o pessoal do Patrimônio Histórico não deixou. Sabe como é: imóvel tombado não pode ter suas características alteradas sem autorização.
- Sei... mas tem algum incentivo?
- Só uma isenção do IPTU, e mais nada. Quem quiser que tire do próprio bolso para restaurar. E isso custa caro... O dono do hotel preferiu abandonar e esperar desabar.
876 e 880 da Manoel Barata, entre Presidente Vargas e Frei Gil. A entrada do hotel a que meu interlocutor se referiu fica na Ó de Almeida
- Não.
- Então por que está fotografando essa casa velha?
- Gosto de fotografia... gosto de retratar imóveis antigos abandonados...
- É bom mesmo, pois esse aí deve desabar logo, logo...
- Hã???
- Pode ver que ele só tem a fachada. Lá atrás tem uns quartos de um hotel da outra rua, que comprou o imóvel e queria derrubar tudo para fazer a entrada da garagem.
Olho pelas frestas das portas e confirmo a informação:
- Olha só... é mesmo!
- Mas o pessoal do Patrimônio Histórico não deixou. Sabe como é: imóvel tombado não pode ter suas características alteradas sem autorização.
- Sei... mas tem algum incentivo?
- Só uma isenção do IPTU, e mais nada. Quem quiser que tire do próprio bolso para restaurar. E isso custa caro... O dono do hotel preferiu abandonar e esperar desabar.
876 e 880 da Manoel Barata, entre Presidente Vargas e Frei Gil. A entrada do hotel a que meu interlocutor se referiu fica na Ó de Almeida
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Se os políticos não se organizam...
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Faça o que eu digo...
... mas não o que eu faço!
Autoescola Avenida, na Tiradentes, entre Quintino Bocaiuva e Rui Barbosa (garanto que tirei essa foto depois das 6 e antes das 22 horas)
Publicado anteriormente no Trânsito Caótico de Belém
Autoescola Avenida, na Tiradentes, entre Quintino Bocaiuva e Rui Barbosa (garanto que tirei essa foto depois das 6 e antes das 22 horas)Publicado anteriormente no Trânsito Caótico de Belém
sábado, 24 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Mostra de imagens do 1º Passeio Fotográfico-Gastronômico do Belenâmbulo
O relato oficial já foi muito bem escrito e publicado pelo Domisteco, Fernandel.
O historiador Xipaia (o nosso google-caboco) também comentou sobre o Ato de Fotografar, baseado em depoimento inspirado(r) da Shirley Penaforte.
Só estavam faltando as imagens...
Após um complexo e enriquecedor processo seletivo individual e conjunto, aí vão as melhores fotos produzidas durante a jornada, segundo a opinião dos participantes.
Aceito sugestões para a segunda edição do passeio.
Os fantasmas e o açaí (por Wagner Okasaki)
O cotovelo e o carregador cofrinhudo (por Shirley Penaforte)
Um paneiro mais duas metades (por Fernando Sampaio)
A senhora de vermelho e azul (por Shirley Penaforte)
Espreguiçando (por Wagner Mello)
Andorinhas? (por Shirley Penaforte)
A porta para o mundo colorido (por Wagner Mello)
Garagem de bicicleta (por Shirley Penaforte)
Retrato de Iemanjá (por Wagner Okasaki)
Solitário na praça das Mercês (por Wagner Mello)
Eiras e beiras (por Wagner Mello)
Devoto (por Fernando Sampaio)
Gerações (por Shirley Penaforte)
A fotógrafa e o historiador-guarda-costas (por Wagner Okasaki)
O historiador Xipaia (o nosso google-caboco) também comentou sobre o Ato de Fotografar, baseado em depoimento inspirado(r) da Shirley Penaforte.
Só estavam faltando as imagens...
Após um complexo e enriquecedor processo seletivo individual e conjunto, aí vão as melhores fotos produzidas durante a jornada, segundo a opinião dos participantes.
Aceito sugestões para a segunda edição do passeio.
Os fantasmas e o açaí (por Wagner Okasaki)
Espreguiçando (por Wagner Mello)
A porta para o mundo colorido (por Wagner Mello)
Retrato de Iemanjá (por Wagner Okasaki)
Solitário na praça das Mercês (por Wagner Mello)
Eiras e beiras (por Wagner Mello)
A fotógrafa e o historiador-guarda-costas (por Wagner Okasaki)
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Onde o mundo se divide
Texto copiado do blog Opinião não se discute
Para mim, o mundo se divide na esquina da Tiradentes com a Quintino Bocaiúva. Ao menos, para os que usam a Tiradentes, em direção ao centro. Explico: o trânsito é forte e recebe carros da Antonio Barreto, bem como da Doca. É uma subida intensa, e desafia a habilidade dos motoristas em manter o carro embreado, mas parado. Quase chegando na tal esquina, uma faixa contínua avisa, segundo as Leis de Trânsito, que está proibida a ultrapassagem. Portanto, quem quiser dobrar à direita, para a Quintino, deve, bem antes, escolher o seu lado, bem como os que seguirão em frente. Mas aí é que está. Enquanto uma minoria, que seguirá em frente, obedece às instruções, a maioria, fiel à máxima de “sou brasileiro e tenho de levar vantagem em tudo”, aproveita-se e vem, lépida, esperta, alegre e saltitante, ultrapassando os “idiotas obedientes”, seguindo em frente, ganhando alguns metros, se tanto. Vale a pena se preocupar com isso? Bem, eu me preocupo. Infelizmente, para mim, vem de dentro uma espécie de espírito punitivo, talvez de outra encarnação em que posso ter sido um professor durão, um daqueles legionários que surrava escravos na nau onde estava Ben Hur, sei lá, pois vem de dentro, num crescendo, e preciso reagir. Acho que faço a minha parte.
Há motoristas de táxi, e me vem uma baba sagrada, por sabê-los interessados em qualquer nesga por onde possam levar vantagem. Há garotos em carros fantásticos, enormes, ansiosos para demonstrar sua ousadia e competência, em driblar os bobalhões, ali, na fila. Há estúpidos, sempre aborrecidos, que cometem o ato, meramente por grosseria. E mulheres com falso ar ingênuo, tentando levar vantagem. Eu gosto. Antevejo. Percebo sua chegada discreta, atabalhoada, dissimulada, agressiva. Vejo nisso, um quadro da nossa sociedade. Toda a má educação, a falta de cultura e civismo que nos assola, não interessa a marca e o ano do carro. Eles se aproximam, certos que no momento preciso, me cortarão a frente e ganharão os tais metros, saindo felizes, sorriso no rosto, pensando “mais um idiota para trás”. Só de pensar, me dá um arrepio. Eles vêm, com a certeza da impunidade. Não tem a ver com superioridade econômica, luta de classes, sei lá. É Cultura contra Barbárie, essa, mesmo, que se instala, lentamente nesta cidade de arranha céus desertos, mas com apartamentos vendidos, totalmente, ainda na planta. É preciso boa noção de espaço, domínio do carro e do tempo. Sangue frio. Dissimulação. Estamos lado a lado. Com um discreto olhar, de relance, percebo sua intenção, a respiração do carro, com seu pé no acelerador, a posição em diagonal para realizar a manobra. Percebo sua intenção. Permaneço estático, como um leso, mais um leso a ser enganado, vencido. Fico ali, inerte. É preciso manter mínima distância do carro à frente, mesmo que seja uma subida. É agora. Uma pequena aceleração e o bico do meu automóvel toma a frente, para susto do oponente. Ué, o que aconteceu? Pior, a partir daquela esquina, a Tiradentes fica mais estreita, exatamente para a esquerda, de onde vêm os obedientes “idiotas”. Assim, com o bico do carro à frente, resta ao então confiante e panaca do outro carro, a calçada, a não ser que freie, repentinamente, inesperadamente, um corte nas suas certezas, e aguarde a próxima nesga, para, ainda assim, fazer valer sua manobra irregular.
Minha mulher se irrita com meu ato, por mais que concorde ser um absurdo aquela esquina. Estamos juntos e vamos chegando ao ponto. Ela, no banco do carona, percebe o “adversário”. Sabe o que vou fazer. Reclama. Eu sei que ela me olha, mas estou ocupado, trabalhando. Digo para não torcer contra. Quero sua cumplicidade. Depois, é só olhar pelo retrovisor suas pragas, reclamações, como garotos apanhados em travessura. Alguns vêm atrás, ligam farol alto, querem vingar-se, mas a rua é estreita, não permitindo ultrapassagem e alguns metros adiante, a maioria cai em si e percebe que estava errada, deixando para lá. Também não é toda vez que venço a parada. Há alguns mais rápidos, sagazes, audaciosos ao ponto, último ponto, em que decido perder a parada a talvez, machucar meu carro. Fico irritado, mas alguns metros depois, já passou. Minha mulher não gosta, mas já me confessou ter feito a mesma coisa, estando ao volante, talvez, ela me disse, por estar na TPM. Não tenho TPM, nada assim, a não ser as irritações do dia a dia, mas para mim, o mundo se divide naquela esquina. É mais forte. Já vi outros “colegas” fazendo a mesma manobra. Que bom não estar sozinho nesta guerra. Alivia o peito. Amansa o tal “espírito punitivo”. Mas antes de tudo, é um pedido a cada um, para que retornemos à civilização e suas leis. No mais simples ato, como esse, na esquina da Tiradentes com a Quintino, está resumido todo o nosso problema. O mundo se divide ali. De que lado você está?
Para mim, o mundo se divide na esquina da Tiradentes com a Quintino Bocaiúva. Ao menos, para os que usam a Tiradentes, em direção ao centro. Explico: o trânsito é forte e recebe carros da Antonio Barreto, bem como da Doca. É uma subida intensa, e desafia a habilidade dos motoristas em manter o carro embreado, mas parado. Quase chegando na tal esquina, uma faixa contínua avisa, segundo as Leis de Trânsito, que está proibida a ultrapassagem. Portanto, quem quiser dobrar à direita, para a Quintino, deve, bem antes, escolher o seu lado, bem como os que seguirão em frente. Mas aí é que está. Enquanto uma minoria, que seguirá em frente, obedece às instruções, a maioria, fiel à máxima de “sou brasileiro e tenho de levar vantagem em tudo”, aproveita-se e vem, lépida, esperta, alegre e saltitante, ultrapassando os “idiotas obedientes”, seguindo em frente, ganhando alguns metros, se tanto. Vale a pena se preocupar com isso? Bem, eu me preocupo. Infelizmente, para mim, vem de dentro uma espécie de espírito punitivo, talvez de outra encarnação em que posso ter sido um professor durão, um daqueles legionários que surrava escravos na nau onde estava Ben Hur, sei lá, pois vem de dentro, num crescendo, e preciso reagir. Acho que faço a minha parte.
Há motoristas de táxi, e me vem uma baba sagrada, por sabê-los interessados em qualquer nesga por onde possam levar vantagem. Há garotos em carros fantásticos, enormes, ansiosos para demonstrar sua ousadia e competência, em driblar os bobalhões, ali, na fila. Há estúpidos, sempre aborrecidos, que cometem o ato, meramente por grosseria. E mulheres com falso ar ingênuo, tentando levar vantagem. Eu gosto. Antevejo. Percebo sua chegada discreta, atabalhoada, dissimulada, agressiva. Vejo nisso, um quadro da nossa sociedade. Toda a má educação, a falta de cultura e civismo que nos assola, não interessa a marca e o ano do carro. Eles se aproximam, certos que no momento preciso, me cortarão a frente e ganharão os tais metros, saindo felizes, sorriso no rosto, pensando “mais um idiota para trás”. Só de pensar, me dá um arrepio. Eles vêm, com a certeza da impunidade. Não tem a ver com superioridade econômica, luta de classes, sei lá. É Cultura contra Barbárie, essa, mesmo, que se instala, lentamente nesta cidade de arranha céus desertos, mas com apartamentos vendidos, totalmente, ainda na planta. É preciso boa noção de espaço, domínio do carro e do tempo. Sangue frio. Dissimulação. Estamos lado a lado. Com um discreto olhar, de relance, percebo sua intenção, a respiração do carro, com seu pé no acelerador, a posição em diagonal para realizar a manobra. Percebo sua intenção. Permaneço estático, como um leso, mais um leso a ser enganado, vencido. Fico ali, inerte. É preciso manter mínima distância do carro à frente, mesmo que seja uma subida. É agora. Uma pequena aceleração e o bico do meu automóvel toma a frente, para susto do oponente. Ué, o que aconteceu? Pior, a partir daquela esquina, a Tiradentes fica mais estreita, exatamente para a esquerda, de onde vêm os obedientes “idiotas”. Assim, com o bico do carro à frente, resta ao então confiante e panaca do outro carro, a calçada, a não ser que freie, repentinamente, inesperadamente, um corte nas suas certezas, e aguarde a próxima nesga, para, ainda assim, fazer valer sua manobra irregular.
Minha mulher se irrita com meu ato, por mais que concorde ser um absurdo aquela esquina. Estamos juntos e vamos chegando ao ponto. Ela, no banco do carona, percebe o “adversário”. Sabe o que vou fazer. Reclama. Eu sei que ela me olha, mas estou ocupado, trabalhando. Digo para não torcer contra. Quero sua cumplicidade. Depois, é só olhar pelo retrovisor suas pragas, reclamações, como garotos apanhados em travessura. Alguns vêm atrás, ligam farol alto, querem vingar-se, mas a rua é estreita, não permitindo ultrapassagem e alguns metros adiante, a maioria cai em si e percebe que estava errada, deixando para lá. Também não é toda vez que venço a parada. Há alguns mais rápidos, sagazes, audaciosos ao ponto, último ponto, em que decido perder a parada a talvez, machucar meu carro. Fico irritado, mas alguns metros depois, já passou. Minha mulher não gosta, mas já me confessou ter feito a mesma coisa, estando ao volante, talvez, ela me disse, por estar na TPM. Não tenho TPM, nada assim, a não ser as irritações do dia a dia, mas para mim, o mundo se divide naquela esquina. É mais forte. Já vi outros “colegas” fazendo a mesma manobra. Que bom não estar sozinho nesta guerra. Alivia o peito. Amansa o tal “espírito punitivo”. Mas antes de tudo, é um pedido a cada um, para que retornemos à civilização e suas leis. No mais simples ato, como esse, na esquina da Tiradentes com a Quintino, está resumido todo o nosso problema. O mundo se divide ali. De que lado você está?
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